Diario de Bordo - 3ª Expedição
Titulo: Relato Sajama – Parte 1: Partida de La Paz
Descrição:
Saímos de La Paz na quarta-feira, 6 de agosto, às 09:00, com o objetivo de chegar, neste mesmo dia, na base do Sajama. Não tínhamos muita certeza de quanto tempo gastaríamos de La Paz até a vila onde está a sede do parque nacional. Já tínhamos ouvido previsões que variavam de 3 a 6 horas. Dependendo do horário que chegássemos lá, teríamos que deixar a caminhada até a base para o dia seguinte. Porém, eu tinha duas outras questões que me preocupavam mais. A primeira era o clima: nesta época do ano venta bastante na região do Sajama, o que certamente iria dificultar bastante nossa subida. Dois montanhistas de Belo Horizonte já haviam abortado sua ascensão ao Sajama três semanas antes, justamente devido aos fortes ventos. A minha idéia era subir rápido e aproveitar qualquer janela de tempo bom que a montanha nos oferecesse, algo raro que não poderia ser desperdiçado. Mas isto esbarrava na minha segunda preocupação: o diferente nível de aclimatação de nossa equipe. Eu e o Luís estávamos nos sentindo muito bem aclimatados. O Félber também estava bem, mas tinha chegado há menos de uma semana em La Paz e ainda não havia dormido acima dos 4000 m. O Sérgio era quem mais estava sentindo a altitude. Ele já havia desistido de subir o Sajama no domingo em La Paz, mas, surpreendentemente, dormiu muito bem à noite e, na segunda-feira, voltou atrás em sua decisão, pois disse que se sentia muito melhor. Para mim, isto só confirmou o que eu já havia percebido nos problemas do Sérgio com a altitude, desde nossa ascensão ao Aconcagua, no ano passado: o fator psicológico era bem mais determinante do que o fisiológico. Foi só desistir das escaladas na Bolívia que ele relaxou e conseguiu dormir bem! De qualquer modo, não comentei isso com ele para não deixá-lo sugestionado. Se ele conseguisse ficar tranqüilo daqui para frente, poderia descansar mais e dormir melhor na montanha. Mas ainda estava debilitado e eu não acreditava que ele já estava plenamente recuperado para o que iríamos enfrentar. E estava aí o nosso dilema: como conciliar uma possível necessidade de subir rápido com as diferentes condições de aclimatação da equipe?Data de Postagem:
12/9/2008 19:04:33Titulo: Sajama: o cume, finalmente!!!
Descrição:
Na segunda-feira da semana passada (11/08), eu (Marcelo) e o Luis Fernando chegamos ao cume do Sajama. Foi a escalada mais difícil do projeto até agora e, certamente, uma das mais pesadas que eu já fiz. As condições da montanha nos surpreenderam: a rota estava bem técnica, fazia muito frio com bastante vento, o porteio para o acampamento alto era muito cansativo (nós fizemos sem carregador, seguindo o estilo de escalada independente que nós propomos para o projeto, o que tornou a subida ainda mais desafiante). Nesta época do ano também existem muitos penitentes no glaciar, complicando tanto a subida, quanto a descida. Mas no final deu tudo certo e já estamos de volta ao Brasil. Vamos fazer um relato detalhado da ascensão, para que todos possam ter uma idéia das dificuldades que encontramos.Data de Postagem:
20/8/2008 12:20:45Titulo: Preparacao para o Sajama
Descrição:
No domigo à noite encontrei com o Félber, que havia chegado do Brasil na sexta-feira e estava se sentindo muito bem. Na verdade, a primeira pessoa que encontrei no saguao do hotel foi o Rogério, um carioca que iria tentar o Huayna Potosí. Para meu espanto, o Rogério me disse que, após subir ao Chacaltaya para se aclimatar, passou muito mal e ficou um dia internado em uma clínica com o diagnóstico de edema celebral. As bruxas estao soltas, pensei... Jantei com o Sérgio neste dia e ele me anunciou que havia desistido do Sajama, pois estava mais uma noite sem dormir. Na segunda-feira o cenário mudou para melhor. O Sérgio conseguiu dormir bem e voltou atrás em sua decisao: iria para o Sajama conosco. Encontramos com o Luis Fernando que também pensou na possibilidade de nos acompanhar. Comendo uma pizza com ele a noite descobrimos que ele é o Luis Fernando que dá nome ao campo escola do Morro do Couto em Itatiaia (campo escola Luis Fernando). Por coincidência, foi lá que eu e o Sérgio conhecemos o Félber. Hoje, o Luis confirmou sua ida ao Sajama, o que nos possibilitará montar uma estratégia de ascensao em duplas, a qual eu, particularmente, prefiro. A princípio, eu farei a dupla com o Sérgio e o Luis com o Felber. Partiremos amanha às 08:00 para a vila de Sajama e, no mesmo dia, para o acampamento base. Aguardem as notícias desta nova etapa...Data de Postagem:
5/8/2008 20:12:54Titulo: Condoriri - Parte 4
Descrição:
No sábado à tarde, após a partida do Sérgio, fomos até o glaciar praticar um pouco. Na volta separamos o equipamento e combinamos de sair para o ataque às 5:00 da manha. Às 04:30, após comer alguma coisa e preparar o chá quente que eu levaria para a escalada, fui até a barraca do Luis. Ele também estava se preparando, mas me falou um pouco desanimado que nao havia dormido bem e que estava com um pouco de náuseas. Partimos mesmo assim, na esperanca que ele melhorasse. No caminho para o glaciar pudemos notar as luzes de outros grupos que vinham em nossa direcao para tentar a mesma escalada. Ao chegarmos no glaciar, o Luis me falou que nao teria condicoes de subir. Decepcionados, mas conscientes que esta foi a melhor decisao, pois se a situacao do Luis piorasse no meio do glaciar as dificuldades seriam bem maiores, voltamos para o acampamento. Descansei por meia hora e comecei a preparar as coisas para voltar para La Paz. Nao fazia sentido ficar por ali sem poder fazer nehuma escalada. Observando a imponência do Condoriri e das demais montanhas ao redor, compreendi que nao seria desta vez que eu iria subir por suas rotas, apesar de bem preparado e bastante aclimatado. Foi um dia longo, esperando o retorno das mulas que haviam partido mais cedo para Tuni com outros grupos. Consegui um carro para me levar até a rodovia somente às 17:30. Era uma van que passava todos os dias pelas pequenas propriedades da regiao transportando os camponeses. Apesar de um pouco chateado por nao ter podido subir nenhuma das montanhas da regiao do Condoriri, este retorno foi muito interessante, já que nao se tratava de um passeio turístico. Os camponeses de origem indígena que entravam na van conversando em aymará ficavam espantadíssimos ao me ver lá dentro, principalmente as criancas que nao paravam de olhar para trás para me observar, sorrindo desconfiadas. O caminho que a van tomou foi diferente daquele que caminhamos desde Tuni e a vista que tínhamos da face oeste do Huayna Potosí era incrível, iluminado pela luz do final de tarde. Após mais um carro até El Alto e um taxi, cheguei em La Paz às 20:30, já pensando na próxima etapa da viagem.Data de Postagem:
5/8/2008 19:51:51Titulo: Condoriri - Parte 3
Descrição:
No sábado eu acordei cedo, antes das 8 da manha, e fiquei esperando que o sol esquentasse a barraca antes de sair. O dia estava um pouco nublado e o sol demorou para aparecer. Na verdade, eu estava ansioso para perguntar ao Sérgio como ele havia passado a noite. Estávamos em barracas separadas e ele ainda nao havia dado sinal de vida. Estaria dormindo? Nossa escalada dependia de uma boa noite de sono de sua parte. Nao aguentando mais, gritei: "E aí Sérgio, passou bem a noite?". Sua resposta foi: "Você acreditaria se eu dissesse que nao dormi nem um minuto?". Neste momento percebi que era o fim de nossas escaladas no Condoriri. Saí da minha barraca e fui até a do Sérgio. Preparamos um bom café da manha e resolvemos procurar alguém que tivesse um celular para que pudéssemos ligar para a agência que nos forneceu o transporte. A idéia era antecipar para aquela dia a vinda do carro que deveria nos buscar em Tuni na terca-feira. Enquanto discutíamos esta possibilidade, chegou na barraca um brasileiro, o Luis Fernando. Escalador e montanhista experiente, estava sozinho fazendo sua aclimatacao para subir o Illimani. Após discutirmos nossos planos, acabamos por ter outra idéia: o Sérgio voltaria neste mesmo dia para La Paz, somente com suas coisas pessoais. Eu ficaria na montanha com o Luis e, no dia seguinte, subiriamos o Pequeño Alpamayo. O Sérgio deveria ir até a agência em La Paz para reagendar o transporte para me buscar na segunda-feira. Pelo menos, assim, poderia fazer uma das ascensoes previstas...Data de Postagem:
5/8/2008 19:28:19Titulo: Condoriri - Parte 2
Descrição:
A situacao do Sérgio voltou a nos preocupar. Estava com dor de cabeca e náuseas e nao conseguia comer direito. Ele também me disse que estava dormindo menos de 5 horas em La Paz e, por isso, se sentia muito cansado. Na sexta-feira pela manha o Sérgio falou que nao havia dormido nada. Resolvemos caminhar até a base do glaciar para conhecermos o início da rota para o Tarija e o Pequeño Alpamayo, já que no dia do ataque partiríamos à noite e nao poderíamos correr o risco de errar o caminho. No glaciar colocamos os crampons e fizemos algumas práticas no gelo, que estava em boas condicoes. Na volta ao acampamento o Sérgio me disse que estava muito cansado e nao teria condicoes de tentar o cume no próximo dia. Resolvemos, entao, esperar até o próximo dia para ver se ele dormiria melhor e para reavaliar se teríamos condicoes de tentar, pelo menos, uma escalada das duas previstas.Data de Postagem:
5/8/2008 19:09:40Titulo: Condoriri - Parte 1
Descrição:
Tivemos que ficar um dia extra em La Paz para que o Sérgio se recuperasse dos problemas com a altitude. Na quinta-feira partimos para a base do Condoriri, com o objetivo de realizar duas ascensoes: o Pequeño Alpamayo e a Cabeza de Condor. A caminhada até o acampamento base comeca na vila de Tuni e nao apresenta maiores dificuldades. A paisagem, por sua vez, é magnífica. Chega a ser emocionante quando se avista o Condoriri pela primeira vez. Realmente parece um condor com as asas abertas. É uma das montanhas mais bonitas que eu já vi... Ainda na vila de Tuni conhecemos uma canadense que iria fazer um trekking de 4 dias com um guia boliviano. Ela nao falava espanhol e o guia nao falava inglês. A agência que ela contratou havia dito que ela iria integrar um grupo de turistas, mas o grupo já havia partido e nao havia sequer mulas para o transporte de suas coisas. Uma senhora indígena, que nao falava espanhol, foi entao contratada pelo guia para carregar a comida. Eu e o Sérgio caminhávamos lentamente, parando bastante para tirar fotos, e ficamos atrás do grupo da canadense. No meio do caminho encontramos novamente os três: a senhora estava sentada no chao e falava em aymará que nao iria caminhar mais. O guia traduzia para o espanhol e nós traduzíamos para o inglês para a canadense, que chorava ao entender o que estava acontecendo. Nós ficamos tentando achar uma solucao até que o guia resolver colocar toda a bagagem nas costas e partiu com a canadense. Eles iriam para a base de uma outra montanha e pegaram um caminho diferente. Isto nos custou um bom tempo e acabamos por chegar no acampamento base em torno de 16:30. Foi quando percebi que o Sérgio nao estava bem e, pelo visto, o dia extra que ficamos em La Paz nao foi suficiente para que ele se recuperasse.Data de Postagem:
5/8/2008 18:59:46Titulo: Aclimatacao em La Paz - Parte 3
Descrição:
Hoje, conforme havíamos planejado, fomos até Chacaltaya, uma estacao de esqui localizada a uns 5000 m de altitude. Desta vez optamos pelo mais cômodo: um tour turístico que nos levaria até lá de van. Mas o que parecia mais prático acabou por se mostrar outra aventura. A van quase nao tinha forca para subir as ladeiras de La Paz e as marchas nao entravam. Ou seja, quando o motorista precisava de motor, as engrenagens agarravam e o "coche" parava no meio da rua. Isto aconteceu, inclusive, na auto-estrada para El Alto, para desespero dos turistas que queriam descer e ir de taxi. Após uma breve parada para acalmar os mais assustados, entramos em uma estrada de terra e, sempre de primeira marcha, chegamos sem problemas ao Chacaltaya. Lá subimos a pé os 200 m finais até o ponto culminante. Na verdade sao três "cumes" ou elevacoes de onde se tem um vista fantástica da Cordilleira Real, principalmente do Huayna Potosí. Agora temos duas preocupacoes principais: a primeira é o tempo, que desde ontem se mantém nublado, tendo até nevado um pouco no alto do Chacaltaya. A outra é a aclimatacao do Sérgio, que comecou a sentir dor de cabeca nos 200 m finais da subida e ânsias e vômitos na descida até La Paz. Nosso planejamento era ir amanha para a base do Condoriri, mas agora teremos que aguardar para vermos se o estado do Sérgio melhora. Provavelmente teremos que ficar mais um dia em La Paz. As previsoes do tempo para os próximos dias também nao sao nada animadoras, vamos ter que buscar informacoes atualizadas para revermos nossa estratégia de ascensao.Data de Postagem:
29/7/2008 19:17:27Titulo: Aclimatacao em La Paz - Parte 2
Descrição:
Nosso domingo em La Paz foi voltado para a preparacao da logística. Após providenciarmos um farto almoco, já que havíamos passado o sábado comendo somente nos avioes , procuramos informacoes na agências sobre aluguel de alguns equipamentos que o Sérgio iria necessitar, transporte para o Condoriri, etc. Também localizamos um supermercado para verificarmos que tipo de comida encontraríamos para comprar. Na verdade, necessitamos somente de um complemento para os nossos suprimentos, já que trouxemos comida liofilizada do Brasil. Na segunda-feira resolvemos ir até Tiahuanaco, um importante sítio arqueológico próximo de La Paz. Eu já havia estado lá uns 8 anos atrás e meu interesse agora era caminhar em uma altitudade mais alta, ja que o sítio está localizado a mais de 3800 m. E resolvemos ir por conta própria, sem contratar um tour, como a maioria dos turistas faz. Foi muito interessante: pegamos um mini bus no centro de La Paz com destino ao cemitério, na frente do qual se concentram inúmeras vans e pequenos ônibus para diversos destinos no altiplano. Nas proximidades do cemitério conseguimos localizar o mini bus para Tiahuanaco. A diversao deste tipo de transporte é a possibilidade de convivência com a populacao local, algo que os pacotes turísticos nao fornecem. Em Tiahuanaco caminhamos por todo o sítio sem sentir os efeitos da altitude. Em nosso segundo dia acima dos 3500 m, parece que nossa aclimatacao está indo muito bem...Data de Postagem:
29/7/2008 18:53:29Titulo: Aclimatacao em La Paz - Parte 1
Descrição:
Eu (Marcelo) e o Sérgio chegamos em La Paz no domingo e iniciamos nosso processo de aclimatacao para as montanhas da expedicao. A viagem foi bastante cansativa, uma verdadeira odisséia. Saímos de Belo Horizonte no sábado de manha em um vôo para Guarulhos. De lá, pegamos uma conexao para Ciudad del Este no Paraguai, onde fizemos uma escala antes de chegarmos em Assuncao. Da capital paraguaia estava prevista uma conexao às 18:00 para Santa Cruz de La Sierra, que atrasou umas cinco horas. O consolo ficou por conta do show que uns músicos bolivianos deram na sala de embarque, enquanto aguardavam o aviao. Eles estavam retornando de Paris, viajavam a dois dias e ainda tiveram a presenca de espirito de protestar em forma de música!!! Acabamos chegando em Santa Cruz às 2 horas da madrugada. Se tivéssemos ido pelo trem da morte, teríamos chegado mais rápido. Coisas da TAM... No domingo mais um vôo para La Paz. Na verdade dois, pois nosso aviao também fez escala em Cochabamba. Às 15:00 finalmente chegamos na capital boliviana e pudemos apreciar, da pista do aeroporto, toda a beleza da Cordillera Real. Aliás, a chegada a La Paz é impressionante, com o aviao passando bem perto das montanhas. Esta é a vantagem da Bolívia: a aclimatacao inicia no aeroporto!Data de Postagem:
29/7/2008 18:26:33Titulo: Mais um cume: Osorno - Chile
Descrição:
Desta vez, eu (Marcelo), Maguinho e André chegamos ao cume do vulcão Osorno, no sul do Chile, com cerca de 2660 m. Foi uma escalada técnica com muito gelo, principalmente nos 300 m finais, o que nos levou a gastar mais de 9 horas até o cume para vencer os 1550 m de desnível desde a base. Somente o trecho final demandou quase 4 horas, pois a inclinação de cerca de 60 graus nos obrigou a subir como em uma escalada tradicional, colocando proteçoes (parafusos de gelo) a cada 10 ou 15 m e fazendo a segurança de cima para o próximo da cordada. A descida também foi complicada, pois não havia como descer de rapel sem abandonar os parafusos e optamos por desescalar colocando proteçoes, que eram retiradas pelo último a descer. Amanhã iremos para Bariloche e iremos decidir se vamos subir o Lanin, a última montanha programada para a expedição, já que resta pouco tempo para voltarmos para o Brasil.Data de Postagem:
30/1/2008 17:15:30Titulo: Cume do Ojos del Salado!!!!
Descrição:
Estamos descansando em Santiago, após a ascensão do vulcão Ojos del Salado, a montanha mais alta do Chile e a segunda mais alta dos Andes, com 6893 m. Este era o principal objetivo da expedição e conseguimos alcançá-lo com 5 integrantes da equipe chegando ao cume: eu (Marcelo), Márcio, Maguinho, Maduro e o Carlão. Iniciamos esta fase da expedição no dia 17/01, quando saímos de Copiapó, no norte do Chile, para a Laguna Verde, onde ficamos 2 dias em um refúgio, situado a cerca de 4500 m, complementando a aclimatação que havíamos previamente realizado. No sábado subimos para o acampamento base (5200 m) e o Pedrinho (Pedro Leite) que havia se juntado ao grupo no Cerro Plata sentiu-se mal, com um nível de oxigenação muito baixo. Este foi o primeiro episódio dramático da ascensão: tivemos que levá-lo de volta à Laguna Verde para que ele se recuperasse em um lugar mais baixo. Mas isto não foi suficiente. Por volta da meia-noite chegou no acampamento base o 4x4 do guarda-parque, dizendo que o Pedrinho estava com edema pulmonar e deveria ser levado para Copiapó com urgência. O Carlão, o Maduro e o André desceram com uma de nossas caminhonetes para a Laguna Verde para providenciar o resgate. No domingo fizemos um porteio de equipamentos para o refúgio Tejos (5830 m), ponto de partida para o ataque ao cume. No final da tarde o Carlão, o Maduro e o André retornaram ao acampamento base, dizendo que o Pedrinho havia ficado em um hospital em Copiapó, mas já estava melhor. Mantivemos a programação de realizar o ataque o cume na madrugada do dia 22/01 e na segunda-feira à tarde subimos para o refúgio Tejos com o resto dos equipamentos. A Acácia desstiu na subida, por não estar se sentindo muito bem. Acordamos por volta das 03:00 em uma noite de pouco vento que parecia perfeita para o ataque. O André também desistiu após acordar. Saímos às 04:00 e, ao chegarmos ao glaciar, constatamos que as dificuldades seriam grandes, como já haviam mencionado dois noruegueses que chegaram ao cume no dia anterior: havia muita neve, obrigando-nos a caminhar, em boa parte da subida, com neve quase até os joelhos. O desnível do refúgio até o cume é de quase 1100 m com uma inclinação bem íngrime. Chegamos à cratera por volta das 11:30 . Faltavam, ainda, cerca de 150 m até o cume, subindo por trechos cada ves mais íngrimes e que alternavam neve fofa e gelo duro, culminando em uma canaleta de quase 60o de inclinação, que terminava no trecho final de escalada em rocha, onde haviam cordas fixas para se vencer este último obstáculo. Nos fixamos na corda através de prussiks, por motivos de segurança, já que o vento estava bem forte, e chegamos ao cume junto com a tempestade que havía se formado, há cerca de duas horas, nas montanhas em torno da Laguna Verde. Tivemos pouco tempo para descansar e tirar algumas fotos. O cume se tornou um lugar extremamente perigoso, com o vento subindo pela canaleta e a neve sendo jogada com violência, além da queda brusca de temperatura. Saímos rapidamente do cume e, para comprovar que a descida é o momento mais perigoso de uma escalada, seguiram outros lances dramáticos. A neve trazida pela tempestade rapidamente se acumulou na rota, escondendo os trechos onde havia gelo e provocando alguns tombos. Os locais de neve fofa ficaram ainda mais instáveis com a neve que caía. A visibilidade ficou praticamente nula e descemos boa parte do tempo em um completo whiteout. Nestas condiçoes tivemos sorte por não ter acontecido nada de mais grave com o Maguinho, que levou uma queda de pelo menos 30 m, e com o Maduro, que atravessou o glaciar por uma área de neve instável, pouco acima da região onde se formavam algumas gretas, e acabou caindo em uma fissura no gelo. Eu e o Carlão optamos por atravessar pela parte superior do glaciar, o que demandou mais tempo, mas evitou cruzá-lo pelo trecho de neve fofa. Chegamos ao refúgio quase de noite e resolvemos descer par a base no dia seguinte. Havia sido uma escalada difícil e desgastante, que se tornou perigosa pelas condiçoes da rota agravadas pela tempestade. Mas estávamos todos muito contentes com o objetivo alcançado: chegar ao cume da maior montanha do Chile, meta principal da segunda expedição do Projeto Sete Cumes Andinos. Em breve iremos publicar o relato completo! Amanhã iremos para Puerto Montt para prepararmos a logística para a escalada do vulcão Osorno. Saudaçoes, MarceloData de Postagem:
26/1/2008 15:22:01Titulo: Chegamos ao cume do Cerro El Plata !!!
Descrição:
Santiago - Chile, 15/01/08, 11:50 Na última quinta-feira, 10/01, eu (Marcelo), o Maduro e o André chegamos ao cume do Cerro El Plata (6000 m), ponto culminante do Córdon del Plata, conjunto de montanhas localizado a leste da cadeia principal da Cordilheira dos Andes, a 80 km de Mendoza. Foi uma ascensão duríssima: fizemos o ataque final a partir do acampamento base, conhecido como Salto de Agua, a cerca de 4200 m, o que significou um desnível de 1800 m até o cume. A principal dificuldade ficou por conta dos ventos fortíssimos que contribuíram para uma sensação térmica extremamente baixa, chegando a congelar a água que eu levava dentro da jaqueta, algo que não aconteceu nem no Aconcágua, quando pegamos -20 C. Devido a estas condições, nós fomos os únicos que fizeram o cume neste dia. Havia uma expedição de eslovacos fazendo a aclimatação para o Aconcagua, mas eles desistiram ao chegar no colo entre o Plata e o Cerro Vallecitos, mesmo ponto onde o Maguinho e o Pedro Leite, de nossa equipe, resolveram voltar. O vento neste local era tão forte que nos jogava no chão, fazendo com que os eslovacos retornassem imediatamente. O mesmo se deu com dois espanhóis e seus guias argentinos. O desgaste físico provocado pelo vento também contribuiu para as desistências: além de soprar na direção contrária, o frio retirava nossas energias. Apesar das dificuldades estávamos bem fortes e resolvemos continuar, apostando que o vento poderia diminuir depois do colo, o que infelizmente não aconteceu. O trecho pior ainda estava por vir: a subida final do cume, uma sequência interminável de subidas íngremes com neve e bastante vento e frio. Finalmente avistamos o famoso helicóptero, que se acidentou nas proximidades do cume, e percebemos que já estavámos próximos. A chegada ao cume foi emocionante, devido ao esforço para vencer estas condições tão extremas, e não conseguimos segurar o choro. Fomos brindados com uma vista espetacular, com o Aconcagua majestoso ao fundo. Aguardem o relato completo... Amanhã iremos para Copiapó, para iniciarmos a segunda fase da expedição: a ascensão do Ojos del Salado. MarceloData de Postagem:
15/1/2008 11:51:15Titulo:
Descrição:
Data de Postagem:
15/1/2008 11:24:04Titulo:
Descrição:
Data de Postagem:
15/1/2008 11:23:54Titulo: Chegamos ao cume do Cerro Plata !!!
Descrição:
Mendoza - 12/01 - 20:30 Na quinta-feira a tarde, eu (Marcelo), Maduro e André chegamos ao cume do Cerro EData de Postagem:
12/1/2008 19:42:53Titulo: Planejamento da Logística - Cerro El Plata